Entre as parábolas de Jesus, certamente a deste domingo é a mais dura. Quase diria que esta parábola é a mais direta e radical de todas. Jesus se mostra desanimado de esperar que os corações dos fariseus e dos escribas se amoleçam, que seus ouvidos se abram. É o auge da queixa que Jesus fizera noutra ocasião: “Têm ouvidos e não ouvem, têm olhos e não vêem” (Mt 13,14-15).
Se a parábola de Jesus tinha um endereço certo, e que foi atingido naquele momento, ainda hoje ela continua atual e alcança os que rejeitam a pessoa divino-humana de Jesus de Nazaré e seus ensinamentos? Ou aqueles que, julgando-se donos da verdade, querem apoderar-se da vinha, ou seja, do Reino de Deus?
A vinha sempre foi e sempre será do Senhor. A criatura humana, exatamente por ser criatura, nasceu para o serviço do Senhor e do Reino do Senhor. Por não acreditarem na evidência da divindade de Jesus, fariseus e escribas frustraram a justificação (santificação) que Jesus trouxe; não entram no “Reino dos Céus”.
Na parábola de hoje, Jesus se torna ainda mais forte e duro(cf. Evangelho de Mateus 21,33-43). Não só não quiseram crer, mas assassinaram os profetas e o próprio Filho de Deus. A parábola foi tão clara que “os sumos sacerdotes e os fariseus entenderam que falava deles” (Mt 21, 45) e se enfureceram.
Jesus toma uma figura bastante familiar: a vinha. Familiar não só porque havia muita vinha na Palestina e era comum seu arrendamento, mas também porque, desde os profetas antigos, o povo de Israel era comparado à vinha. Por isso mesmo a primeira leitura de hoje lembra que “a vinha do Senhor é a casa de Israel” (Is 5,1-7), por quem Deus tudo fizera. Dela, Deus esperava frutos de direito e de justiça, mas só colheu violência e traição. Também o Salmo Responsorial compara o povo de Israel a uma videira transplantada do Egito para a Terra Prometida e cultivada com carinho por Deus quando nos convida a salmodiar: “A VINHA DO SENHOR É A CASA DE ISRAEL!”.
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